
UM BREVE DESCANSO
Como também sou filha de Deus – mas pobrinha, sem os panetones do Arruda, do Durval, daquela gangue de Brasília – ganhei a graça de uns diazinhos em Natal, a ensolarada e bela capital do Rio Grande do Norte, atendendo a gentil convite do Valério Andrade, o mentor e organizador do FestNatal, o festival de cinema que levou ao ar a sua 19ª edição.
Foram dias gloriosos, que passei ao lado da mana (podia levar um acompanhante, escolhi a Bel), da fotógrafa (excelente) Cristina Lacerda e de outras figuras – mais e menos famosas – do showbiz tupiniquim.
Mas, sobretudo, foram dias de bom cinema, de aplausos à produção nacional que anda dando banho, e de fruição de todas as belezas de Natal.
A cada viagem que faço pelo Brasil, especialmente pelo litoral do Nordeste, entendo porque os turistas estrangeiros muitas vezes chegam até a dispensar o Rio, esta Cidade Maravilhosa. São tantos os deslumbramentos que o Brasil oferece, que, se o cara entrar pelo Nordeste, periga ficar por lá mesmo. Não teria tempo pra dar conta de tudo, né, não? Um que fez isso, me contaram lá, foi aquele lindão do Antonio Banderas – ai, meus sais! Com todo o respeito por Saint Tropez e Ibiza, os must go de tanta gente mundo afora (e aqui também, diga-se), o Banderas, sua Melanie, o Harrison Ford, a Julia Roberts, o Clive Owen e seja lá que famosete vier das bandas de lá, as praias do Brasil não têm pra ninguém. É chegar e amar.
Voltando a Natal. Em frente ao nosso hotel, um cinco estrelas que já conhecia, o Ocean Palace, a praia é para turista mesmo. Estrangeiro.
Não é praia para banho, é mar aberto, oceano. Para conhecer praia em Natal tem que pegar um carro – ou um táxi, como fizemos – e rodar.
Inesquecível. Tem cada uma e com cada nome! Pirangi, Cotovelo, Redinhas, Barra do Cumbaú, Cumurupi, Galinhos, e Pipa – já famosa, um, digamos, Búzios do Nordeste, a cerca de duas horas de Natal. Todas deslumbrantes, águas cor de turquesa, límpidas e cristalinas, naquela terra do sol, em que a chuva faz cerimônia para dar o ar da graça.
Jamais esquecerei a Ponta de Pirangi, um resort daqueles de day use, que mais parece o portão do Paraíso sem São Pedro. Chiquérrimo, escondido o suficiente daquela turistada tipo CVC, oferece uma piscina debruçada sobre o mar, sala de massagens, sauna, chaises longues e um bom serviço de comes e bebes para que a leseira fique mais agradável – e mais completa.
Inesquecível também é a Lagoa Pitangui, onde batemos ponto depois das fortes emoções de um passeio de buggy pelas Dunas de Genipabu – que tem história curiosa e pra matar a gente de inveja. O imenso areal, que já serviu de cenário às novelas Tieta e O clone, pertence – segundo informou o simpático bugueiro – a duas irmãs. Cada buggy que entra ali paga R$ 5.
No verão, contou o rapaz, são mais de 500. Por dia. Façam as contas.
Melhor do que a Megasena, né, não? Depois da voltinha pelo feudo das biliardárias irmãs, o banho na Lagoa. Inenarrável. Transparente, lambaris ziguezagueando pelos pés da gente, água tépida… Pitangui é um estouro. E ainda oferece impecável serviço de bar e restaurante.
Camarões inesquecíveis.
Como inesquecível para sempre será o motorista Alberto, um maranhense radicado em Natal há anos, que tem pavor dos Sarney, conversa sobre qualquer assunto e é honestíssimo com seus preços.
Grande figura.
Falando em grandes figuras. Convidados do festival, Eva Wilma, Elias Gleiser e Mauro Mendonça dão show sempre, e não apenas quando estão atuando. Ninguém pode imaginar o que seja – e eu vi com estes olhos que a terra há de comer – aquele assédio insuportável de fãs de todas as idades, raças e credos, todos a bordo de seus telefones com câmera. Todos atrás de um flash. Não é bolinho, não. Este trio é treinado. É profissional.
Como disse a divina Eva Wilma, “Estou aqui para isso mesmo”. E eu fico aqui pensando se a Danielle Winits diria a mesma coisa. Ou a Dieckman.
Ou o Benício. Esse povo do chilique. O pessoal mais velho, todos atores com A maiúsculo, tem uma noção de profissionalismo que marca a exata diferença entre eles e os famosetes da hora, ainda que, no meio destes tipos que se acham, se encontre bons atores. A exceção à regra, entre os jovens, encontrei neste festival: a bela, doce e simpaticíssima figura de Eriberto Leão, que brilhou na novela Paraíso. A paciência que ele teve com quem o abordava – e foram centenas de pessoas – foi digna de velha guarda.
Natal fez bem a mim. Tanta beleza, programas tão agradáveis, nosso cinema numa ótima fase. Muito bom. E melhor ainda porque me tirou do apagão – que voltou, aporrinha, dá prejuízo, e, como sempre, vai ficando tudo por isso mesmo. Culpa do pessoal do Leblon, como disse o diretor da Light. Simples assim.
Quero voltar pra Natal. Já. Não sou o Jesus da Madonna, mas sou da luz.
Quero voltar para Natal. Já. Também sou filha de Deus.
Não sou o Jesus da Madonna, mas sou da luz
Sábado, 5 de Dezembro de 2009



